NOTA PASTORAL SOBRE A CELEBRAÇÃO DOS 850 ANOS DA MORTE DE SÃO TEOTÓNIO
22/01/12 14:56
1. Faz 850 anos no próximo dia 18 de Fevereiro que faleceu S. Teotónio. Um jubileu que nós, diocesanos de Viana do Castelo, não podemos deixar de assinalar.
É que S. Teotónio, por ser oriundo de uma povoação que atualmente pertence à nossa diocese, é um dos seus padroeiros. Nasceu há 930 anos, em Tardinhade, freguesia de Ganfei, arciprestado e concelho de Valença. Aí foi também batizado e passou a maior parte da infância, aprendendo as primeiras letras no convento de Ganfei, até ir para junto do seu tio-avô D. Crescêncio, então bispo de Coimbra.
Foi, portanto, entre os nossos antepassados que ele iniciou o caminho de santidade que, neste mundo, culminou com a total e definitiva entrega a Deus, na sua morte a 18 de fevereiro de 1162, o dia anual em que, por isso, passou a celebrar-se a sua festa. Este ano, pelas circunstâncias jubilares, queremos vivê-la com um júbilo especial.
É que S. Teotónio, por ser oriundo de uma povoação que atualmente pertence à nossa diocese, é um dos seus padroeiros. Nasceu há 930 anos, em Tardinhade, freguesia de Ganfei, arciprestado e concelho de Valença. Aí foi também batizado e passou a maior parte da infância, aprendendo as primeiras letras no convento de Ganfei, até ir para junto do seu tio-avô D. Crescêncio, então bispo de Coimbra.
Foi, portanto, entre os nossos antepassados que ele iniciou o caminho de santidade que, neste mundo, culminou com a total e definitiva entrega a Deus, na sua morte a 18 de fevereiro de 1162, o dia anual em que, por isso, passou a celebrar-se a sua festa. Este ano, pelas circunstâncias jubilares, queremos vivê-la com um júbilo especial.
2. Queremos manifestar este júbilo, antes de mais, agradecendo ao Senhor todas as graças que, por intermédio deste nosso padroeiro, tem concedido e continua a conceder à nossa Igreja diocesana.
Ele foi um dos que mais procurou pôr em prática o que S. Paulo nos diz: nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo, mas para Cristo que morreu e ressuscitou, para ser o Senhor dos vivos e dos mortos (Rom 14, 7.9). E deste modo, também a vida de S. Teotónio adquiriu, com a sua morte, aquela vitalidade que Jesus, a propósito da sua própria vida e morte, compara à energia vivificante proveniente de um grão de trigo: se, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto (Jo 12, 24).
S. Teotónio tem sido, entre nós, um dos frutos mais fecundos desta oferta total da vida por parte do Senhor morto e ressuscitado: um fruto que, durante séculos e seguindo o mesmo processo de total entrega da vida, mais tem contribuído para que Ele, o Senhor dos vivos e dos mortos, produzisse novos frutos. É sobretudo por isso que Lhe queremos dar graças.
3. Mas queremos também pedir ao Senhor que continue a produzir novos frutos, recorrendo para isso, como fazemos tantas
vezes nas nossas orações, à intercessão de S. Teotónio. Sabemos que ele está no Céu a gozar daquela vida eterna, pela qual nós, como todo o ser humano, mais ansiamos e lutamos. Mas sabemos também que esse amor infinito que saboreia junto de Deus, ele o quer partilhar connosco, à maneira do que dizia S. Teresinha do Menino Jesus: “Quero passar o meu Céu a fazer o bem sobre a terra.”1
Um dos maiores bens que S. Teotónio nos pode fazer, é ajudar- nos, a nós que espiritualmente em parte dele descendemos, a realizar o que fez dele um modelo de santidade: a irmos ao encontro de Cristo. Trata-se daquele encontro que, nas palavras de Bento XVI, “está no início do ser cristão” e “dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.”2
Assim foi com S. Teotónio: desde o Batismo até à Ordenação sacerdotal e principalmente através da Eucaristia, ele não procurou outra coisa que não fosse a permanentemente renovada comunhão com Jesus Cristo, para assim d’Ele viver e conduzir outros ao encontro d’Ele. Para isso até peregrinou por duas vezes à Terra Santa e nos últimos anos antes de morrer renunciou ao governo do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, como seu primeiro prior, para se entregar completamente à vida contemplativa.
Foi também para suscitar este mesmo encontro pessoal com Cristo que escrevi a Carta Pastoral “Cristo em Vós: a Esperança da Glória”, propondo a sua leitura meditada e personalizada como programa para o ano pastoral em curso e como base programática para a revitalização da nossa Diocese. Que S. Teotónio, para mais estando nós a celebrar este seu ano jubilar, nos incentive e acompanhe nessa leitura.
4. Ele pode ainda iluminar-nos para que enfrentemos com olhos e mãos de cristãos a situação económico-social menos agradável que está a afetar a vida no nosso País.
S. Teotónio não foi apenas o primeiro santo português a ser canonizado depois da fundação da nossa Pátria. Ele foi também um dos conselheiros mais preciosos do nosso rei fundador, na conquista do território e na organização da sua população como nação. Contribuiu sobretudo, designadamente com a fundação e direção do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, para aquela dimensão espiritual e cristã que se manifestou determinante para a formação de uma consistente consciência nacional.
Que ele nos ajude a libertar-nos do individualismo contrário à comunhão fraterna própria dos cristãos e a despertarmos para o mesmo sentido de cidadania de que ele foi exemplo e hoje é imprescindível para ultrapassarmos os tempos um tanto conturbados e carenciados de esperança por que estamos a passar.
E que ele nos ajude a concretizar a nossa comunhão e solidariedade cristã como ele procurou fazer, sobretudo enquanto responsável máximo pela comunidade de Santa Cruz de Coimbra: abrindo o coração e estendendo as mãos aos mais carenciados de bens materiais e espirituais.
É assim que mais ao vivo manifestaremos a caridade que recebemos do Senhor – aquela caridade com que Ele triunfou para sempre sobre o pecado e a morte e se tornou a fonte da nossa esperança. Que esta esperança, a partir do nosso testemunho prático de cristãos, se estenda a todos os outros nossos concidadãos.
5. Para tudo isto, convido os diocesanos que puderem a participar nos três eventos que, a nível diocesano, se vão realizar por altura da festa de S. Teotónio:
- As XXIII Jornadas Teotonianas, de 17 a 19 de fevereiro, no salão paroquial de Monção, este ano com o tema: “A crise e o retorno de valores nos 850 anos da morte de S. Teotónio.”
- O XXXIV Encontro Diocesano de Pastoral Litúrgica, a 18 e 19 de fevereiro, no auditório do Centro Pastoral Paulo VI de Darque, com o tema: “Encontro com Cristo Sacramento.”
- A solene Eucaristia da festa de S. Teotónio, a que presidirei na Sé Catedral, pelas 18 horas do dia 18 de fevereiro.
Viana do Castelo, 22 de janeiro de 2012
+ Anacleto Oliveira, Bispo de Viana do Castelo

Notas:
1 Citação do Catecismo da Igreja Católica, n. 956.
2 In Deus Caritas est, n. 1.
Ele foi um dos que mais procurou pôr em prática o que S. Paulo nos diz: nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo, mas para Cristo que morreu e ressuscitou, para ser o Senhor dos vivos e dos mortos (Rom 14, 7.9). E deste modo, também a vida de S. Teotónio adquiriu, com a sua morte, aquela vitalidade que Jesus, a propósito da sua própria vida e morte, compara à energia vivificante proveniente de um grão de trigo: se, lançado à terra, não morrer, fica só; mas se morrer, dará muito fruto (Jo 12, 24).
S. Teotónio tem sido, entre nós, um dos frutos mais fecundos desta oferta total da vida por parte do Senhor morto e ressuscitado: um fruto que, durante séculos e seguindo o mesmo processo de total entrega da vida, mais tem contribuído para que Ele, o Senhor dos vivos e dos mortos, produzisse novos frutos. É sobretudo por isso que Lhe queremos dar graças.
3. Mas queremos também pedir ao Senhor que continue a produzir novos frutos, recorrendo para isso, como fazemos tantas
vezes nas nossas orações, à intercessão de S. Teotónio. Sabemos que ele está no Céu a gozar daquela vida eterna, pela qual nós, como todo o ser humano, mais ansiamos e lutamos. Mas sabemos também que esse amor infinito que saboreia junto de Deus, ele o quer partilhar connosco, à maneira do que dizia S. Teresinha do Menino Jesus: “Quero passar o meu Céu a fazer o bem sobre a terra.”1
Um dos maiores bens que S. Teotónio nos pode fazer, é ajudar- nos, a nós que espiritualmente em parte dele descendemos, a realizar o que fez dele um modelo de santidade: a irmos ao encontro de Cristo. Trata-se daquele encontro que, nas palavras de Bento XVI, “está no início do ser cristão” e “dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo.”2
Assim foi com S. Teotónio: desde o Batismo até à Ordenação sacerdotal e principalmente através da Eucaristia, ele não procurou outra coisa que não fosse a permanentemente renovada comunhão com Jesus Cristo, para assim d’Ele viver e conduzir outros ao encontro d’Ele. Para isso até peregrinou por duas vezes à Terra Santa e nos últimos anos antes de morrer renunciou ao governo do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, como seu primeiro prior, para se entregar completamente à vida contemplativa.
Foi também para suscitar este mesmo encontro pessoal com Cristo que escrevi a Carta Pastoral “Cristo em Vós: a Esperança da Glória”, propondo a sua leitura meditada e personalizada como programa para o ano pastoral em curso e como base programática para a revitalização da nossa Diocese. Que S. Teotónio, para mais estando nós a celebrar este seu ano jubilar, nos incentive e acompanhe nessa leitura.
4. Ele pode ainda iluminar-nos para que enfrentemos com olhos e mãos de cristãos a situação económico-social menos agradável que está a afetar a vida no nosso País.
S. Teotónio não foi apenas o primeiro santo português a ser canonizado depois da fundação da nossa Pátria. Ele foi também um dos conselheiros mais preciosos do nosso rei fundador, na conquista do território e na organização da sua população como nação. Contribuiu sobretudo, designadamente com a fundação e direção do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra, para aquela dimensão espiritual e cristã que se manifestou determinante para a formação de uma consistente consciência nacional.
Que ele nos ajude a libertar-nos do individualismo contrário à comunhão fraterna própria dos cristãos e a despertarmos para o mesmo sentido de cidadania de que ele foi exemplo e hoje é imprescindível para ultrapassarmos os tempos um tanto conturbados e carenciados de esperança por que estamos a passar.
E que ele nos ajude a concretizar a nossa comunhão e solidariedade cristã como ele procurou fazer, sobretudo enquanto responsável máximo pela comunidade de Santa Cruz de Coimbra: abrindo o coração e estendendo as mãos aos mais carenciados de bens materiais e espirituais.
É assim que mais ao vivo manifestaremos a caridade que recebemos do Senhor – aquela caridade com que Ele triunfou para sempre sobre o pecado e a morte e se tornou a fonte da nossa esperança. Que esta esperança, a partir do nosso testemunho prático de cristãos, se estenda a todos os outros nossos concidadãos.
5. Para tudo isto, convido os diocesanos que puderem a participar nos três eventos que, a nível diocesano, se vão realizar por altura da festa de S. Teotónio:
- As XXIII Jornadas Teotonianas, de 17 a 19 de fevereiro, no salão paroquial de Monção, este ano com o tema: “A crise e o retorno de valores nos 850 anos da morte de S. Teotónio.”
- O XXXIV Encontro Diocesano de Pastoral Litúrgica, a 18 e 19 de fevereiro, no auditório do Centro Pastoral Paulo VI de Darque, com o tema: “Encontro com Cristo Sacramento.”
- A solene Eucaristia da festa de S. Teotónio, a que presidirei na Sé Catedral, pelas 18 horas do dia 18 de fevereiro.
Viana do Castelo, 22 de janeiro de 2012
+ Anacleto Oliveira, Bispo de Viana do Castelo

Notas:
1 Citação do Catecismo da Igreja Católica, n. 956.
2 In Deus Caritas est, n. 1.
