NOTÍCIAS

DIOCESE DE VIANA DO CASTELO

Nomeações sacerdotais



O padre José Correia Vilar foi nomeado Administrador Paroquial de Beiral do Lima e Gondufe, arciprestado de Ponte de Lima, até que outra solução jurídico-pastoral seja dada em tempo própria, mantendo todos os ofícios pastorais que detém.
O padre Alfredo Domingues Sousa foi nomeado Administrador Paroquial de são Tiago de Vila Nova de Anha até que outra solução jurídico-pastoral seja dada em tempo própria, mantendo todos os ofícios pastorais que detém.
Ambas as nomeações decorrem do falecimento dos párocos, respectivamente, os padres Manuel Machado e Alípio Silva Lima.

Fazer memória na edição 25 das Jornadas Teotonianas

Estado Social e Sociedade Solidária em debate


O Secretariado Diocesano Acção Social e Caritativa promove no próximo 7 de Março uma jornada diocesana que visa reflectir acerca do "Estado Social e Sociedade Solidária" numa altura em que os Governantes se propõem "refundar" precisamente o Estado Social com um corte muito avultado de verbas.
No auditório do Centro Paulo VI – Darque esta problemática vai ser abordada de diferentes ângulos e com a participação de personalidades diversas por forma a corresponder às expectativas dos destinatários que são os directores, técnicos, colaboradores e voluntários de Instituições Particulares de Solidariedade Social, estudantes, Conferências Vicentinas, Misericórdias e comunidade em geral.
Durante a manhã, a partir das 9h, intervém o padre Lino Maia, presidente da CNIS, para falar da "Igreja na Intervenção Social". Esta abordagem será complementada pela palestra acerca de "O Evangelho e a Pastoral Social" proferida por Joaquim Neves.
A última intervenção da manhã está a cargo do Presidente da Cáritas Portuguesa. Eugénio da Fonseca interroga-se acerca do futuro do Estado Social
Depois do almoço, a partir das 14h, alarga-se o leque de intervenções com a particpação de representantes de instituições com responsabilidade e intervenção no âmbito do concelho e distrito de Viana do Castelo. No debate sobre "Práticas de Solidariedade – Luta por uma sociedade solidária" intervêm Ivone Lima e Carla Alves, em nome do Centro Regional da Segurança Social de Viana do Castelo; Ana Margarida Silva, vereadora e responsável pelo Banco Voluntariado da Câmara Municipal de Viana do Castelo; Maria de Fátima Cortez, presidente do Banco Alimentar Contra a Fome de Viana do Castelo; José Machado, presidente da Cáritas Diocesana de Viana do Castelo; José Amadeu Esteves, do Conselho Central Vicentino de Viana do Castelo; Vitorino Reis, da Santa Casa da Misericórdia de Viana do Castelo; Isabel Fernandes, do GAF - Gabinete de Apoio à Família; e o representante de uma IPSS - Centro Social e Paroquial. Este leque de reflexões vai ser coordenado por Carlos Aguiar Gomes.
Na justificação da temática escolhida para esta Jornada, os promotores recordam a propósito o que escreveu o Bispo Diocesano, D. Anacleto Oliveira, na sua Carta Pastoral: “sem a Solidariedade, proposta nomeadamente pela Doutrina Social de Igreja, não há Estado Social que nos valha".

Ministros da Comunhão devem levar Cristo vivo na própria vida


Instituídos 34 novos Ministros Extraordinários da Comunhão em Encontro Diocesano

O Bispo de Viana do Castelo exortou os Ministros Extraordinários da Comunhão, em particular aos 34 novos instituídos no encerramento do Encontro Diocesano de Pastoral Litúrgica, que "não basta ter mãos limpas e cerimónia bem feita", mas que o essencial é "levar Cristo no coração, levar Cristo vivo na própria vida".
Na homilia da Eucaristia, com que culminaram dois dias de reflexão acerca "Da Fé professada e celebrada à Fé vivida", o Bispo Diocesano sublinhou que os Ministros Extraordinários são para os que "estão fora", isto é, para aqueles que não podem participar na assembleia da comunidade celebrante, sendo que o "acto de ir, o tempo gasto, os meios empregues" fazem parte do próprio Cristo que se "oferece ao vivo".
D. Anacleto Oliveira começou por referir que todos os instituídos foram convidados por Aquele que convidou Pedro e os demais Apóstolos, o mesmo que se manifesta em cada Eucaristia, "pujança de amor", e alarga a sua vida de Ressuscitado àqueles que comungam.
Ao longo de dois dias, mais de meio milhar de homens e mulheres do Alto Minho, empenhados nos mais diversos ministérios laicais na respectivas comunidades, tiveram oportunidade de reflectir acerca da fé que professam e celebram e procuram levar para o quotidiano da sua existência.
Descontruindo o pensamento actual nacional enredado na crise, seja ela de que tipo for, César das Neves foi peremptório em sublinhar que "a fé é mais importante que a crise" e que por isso importa recentrar o pensamento e a acção.
Para os cristãos a crise leva a que se foquem no amor, na caridade, por forma a ir ao encontro das pessoas no concreto das suas necessidades, abrindo à partilha e abrindo-se à esperança tão arredada da vida nestes tempos.
Mais difícil do que não ligar à crise é ter a consciência que "não há crise". "Só quem acha que isto vai sempre correr bem é que se indigna com a crise" porque, reafirmou, "não há crise, há é penitência, redenção, cruz". O que sobra de discurso sobre a crise, falta em "fé" e "oração" pedindo "ajuda para fazer" a mudança da situação.
O tópico da confiança já havia sido abordado pelo padre José Frazão Correia, na intervenção "Pensar a fé", frisando que "a fé é uma experiência muito elementar de confiança" que dá "fisionomia" à experiência. Propondo percorrer o caminho do discípulos em direcção a Emaús, este sacerdote Jesuíta salientou que aquele que se abre à graça, a fé inscreve-se "visceralmente" na sua existência. Trata-se de percurso de descoberta, com os seus dramas e desilusões, muitas vezes na lentidão do passo, até reconhecer Cristo. Não basta, referiu, repetir que se conhece ou que se reza o credo. "A minha vida tem de vibrar nesse reconhecimento" ao jeito de uma declaração de amor, comparou.
Frazão, aludindo à linguagem da actual crise, salientou que usa terminologia muito próxima do discurso da fé porque "o tempo que vivemos é de falta de crédito e, curiosamente, significa falta de confiança".
Prosseguindo a reflexão a partir de outro tópico, o padre Francisco Couto enfatizou a necessidade da fé "ser experiência" realizada com aqueles que "como nós caminham, respondem e fazem comunhão". A fundamentação da afirmação advém do facto da "fé do indivíduo estar ligada à comunidade" pois o seu conteúdo chega pelos outros viventes.
A fé, reforçou, "não é apenas crer nas coisas que Deus revelou, mas é crer n'Ele", celebrando-a em "diálogo íntimo" ao longo da vida.
Sílvio Couto alertou, a propósito de "Viver a fé", que ainda se cultiva muito o "sino", no sentido de uma exterioridade de rituais muitas vezes vazios de significado, e pouco o "sacrário", num tempo de intimidade e adoração que leve à "conversão", processo incabado. Apontando para gestos concretos de vivência deste tempo da Quaresma, o padre Sílvio Couto pediu "renovação em tradição" na forma de viver a caridade, pessoal, familiar e na comunidade, inovar nos sinais da caminhada e abrir aos de fora cuidando do acolhimento. Terminou com uma questão: "quem me conhece dirá que sou um Homem de fé?"
No segundo dia de reflexão, as atenções concentraram-se na preparação e cuidado em "Cantar a fé" e na apresentação de algumas vivências concretas da experiência da fé pela boca, vida o obra de um pintor, de uma jovem família cujo agregado é composto pelos pais e duas filhas, por uma catequista no seu ministério de ensino sistemático de conteúdos da fé e por um jovem trabalhador num departamento de uma Câmara Municipal.

Faleceu o padre Alípio Lima

Assembleia do Clero na Barca

Conselho presbiteral avalia e perspectiva o futuro da Casa Sacerdotal


No dia 5 de Fevereiro, reuniu-se, no Centro Pastoral Paulo VI de Viana do Castelo, o Conselho Presbiteral da Diocese.
Antes da ordem do dia, foram apresentados alguns temas, dos quais se destaca a Fraternidade Sacerdotal, comum aos presbíteros de Viana do Castelo e de Braga, recentemente reunida em assembleia geral. Dada a sua importância na vida dos sacerdotes, apelou-se a que haja uma maior adesão da parte dos sacerdotes mais jovens, até mesmo como exercício da comunhão que deve existir entre os presbíteros.
De seguida, os Conselheiros apresentaram ao Bispo diocesano algumas sugestões relativas aos destinos a dar ao contributo penitencial deste ano.
Foi feito ainda uma breve apreciação das duas Assembleias do Clero já realizadas no âmbito do Ano da Fé. A avaliação foi predominantemente positiva, quer quanto ao modo como decorreram, quer quanto aos temas tratados. Foi entretanto feito um apelo a uma maior participação da parte dos membros do presbitério.
Finalmente, e como tema principal, foi analisada a situação actual da Casa Sacerdotal, uma instituição que está no coração da Diocese, na medida em que promove o apoio material e espiritual aos sacerdotes e seus familiares mais próximos, principalmente na fase avançada das suas vidas.
O Presidente da actual Direcção, Pe Daniel Rodrigues, apresentou um conjunto de problemas estruturais e algumas dificuldades concernentes ao financiamento e propôs várias medidas em ordem à sua imediata sustentabilidade que foram aprovadas. O Conselho aprovou ainda a revisão do Estatuto e a ampliação do edifício.
A discussão e aprovação da revisão do Estatuto ficou agendada para a próxima reunião, no dia 23 de Abril.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  

Maquete da escultura do padroeiro do Senhor do Socorro

Faleceu o padre Manuel Machado

Mensagem de Bento XVI para a Quaresma de 2013


Crer na caridade suscita caridade

«Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16)
Queridos irmãos e irmãs!
A celebração da Quaresma, no contexto do Ano da fé, proporciona-nos uma preciosa ocasião para meditar sobre a relação entre fé e caridade: entre o crer em Deus, no Deus de Jesus Cristo, e o amor, que é fruto da acção do Espírito Santo e nos guia por um caminho de dedicação a Deus e aos outros.

1. A fé como resposta ao amor de Deus
Na minha primeira Encíclica, deixei já alguns elementos que permitem individuar a estreita ligação entre estas duas virtudes teologais: a fé e a caridade. Partindo duma afirmação fundamental do apóstolo João: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1 Jo 4, 16), recordava que, «no início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo. (...) Dado que Deus foi o primeiro a amar-nos (cf. 1 Jo 4, 10), agora o amor já não é apenas um “mandamento”, mas é a resposta ao dom do amor com que Deus vem ao nosso encontro» (Deus caritas est, 1). A fé constitui aquela adesão pessoal – que engloba todas as nossas faculdades - à revelação do amor gratuito e «apaixonado» que Deus tem por nós e que se manifesta plenamente em Jesus Cristo. O encontro com Deus Amor envolve não só o coração, mas também o intelecto: «O reconhecimento do Deus vivo é um caminho para o amor, e o sim da nossa vontade à d’Ele une intelecto, vontade e sentimento no ato globalizante do amor. Mas isto é um processo que permanece continuamente a caminho: o amor nunca está "concluído" e completado» (ibid., 17). Daqui deriva, para todos os cristãos e em particular para os «agentes da caridade», a necessidade da fé, daquele «encontro com Deus em Cristo que suscite neles o amor e abra o seu íntimo ao outro, de tal modo que, para eles, o amor do próximo já não seja um mandamento por assim dizer imposto de fora, mas uma consequência resultante da sua fé que se torna operativa pelo amor» (ibid., 31). O cristão é uma pessoa conquistada pelo amor de Cristo e, movido por este amor - «caritas Christi urget nos» (2 Cor 5, 14) -, está aberto de modo profundo e concreto ao amor do próximo (cf. ibid., 33). Esta atitude nasce, antes de tudo, da consciência de ser amados, perdoados e mesmo servidos pelo Senhor, que Se inclina para lavar os pés dos Apóstolos e Se oferece a Si mesmo na cruz para atrair a humanidade ao amor de Deus.
«A fé mostra-nos o Deus que entregou o seu Filho por nós e assim gera em nós a certeza vitoriosa de que isto é mesmo verdade: Deus é amor! (...) A fé, que toma consciência do amor de Deus revelado no coração trespassado de Jesus na cruz, suscita por sua vez o amor. Aquele amor divino é a luz – fundamentalmente, a única - que ilumina incessantemente um mundo às escuras e nos dá a coragem de viver e agir» (ibid., 39). Tudo isto nos faz compreender como o procedimento principal que distingue os cristãos é precisamente «o amor fundado sobre a fé e por ela plasmado» (ibid., 7).

2. A caridade como vida na fé
Toda a vida cristã consiste em responder ao amor de Deus. A primeira resposta é precisamente a fé como acolhimento, cheio de admiração e gratidão, de uma iniciativa divina inaudita que nos precede e solicita; e o «sim» da fé assinala o início de uma luminosa história de amizade com o Senhor, que enche e dá sentido pleno a toda a nossa vida. Mas Deus não se contenta com o nosso acolhimento do seu amor gratuito; não Se limita a amar-nos, mas quer atrair-nos a Si, transformar-nos de modo tão profundo que nos leve a dizer, como São Paulo: Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim (cf. Gl 2, 20). Quando damos espaço ao amor de Deus, tornamo-nos semelhantes a Ele, participantes da sua própria caridade.
Abrirmo-nos ao seu amor significa deixar que Ele viva em nós e nos leve a amar com Ele, n'Ele e como Ele; só então a nossa fé se torna verdadeiramente uma «fé que atua pelo amor» (Gl 5,6) e Ele vem habitar em nós (cf. 1 Jo 4, 12). A fé é conhecer a verdade e aderir a ela (cf. 1 Tm 2, 4); a caridade é «caminhar» na verdade (cf. Ef 4, 15). Pela fé, entra-se na amizade com o Senhor; pela caridade, vive-se e cultiva-se esta amizade (cf. Jo 15, 14-15).
A fé faz-nos acolher o mandamento do nosso Mestre e Senhor; a caridade dá-nos a felicidade de pô-lo em prática (cf. Jo 13, 13-17). Na fé, somos gerados como filhos de Deus (cf. Jo 1, 12-13); a caridade faz-nos perseverar na filiação divina de modo concreto, produzindo o fruto do Espírito Santo (cf. Gl 5, 22). A fé faz-nos reconhecer os dons que o Deus bom e generoso nos confia; a caridade fá-los frutificar (cf. Mt 25, 14-30).

3. O entrelaçamento indissolúvel de fé e caridade
À luz de quanto foi dito, torna-se claro que nunca podemos separar e menos ainda contrapor fé e caridade. Estas duas virtudes teologais estão intimamente unidas, e seria errado ver entre elas um contraste ou uma «dialética». Na realidade, se, por um lado, é redutiva a posição de quem acentua de tal maneira o carácter prioritário e decisivo da fé que acaba por subestimar ou quase desprezar as obras concretas da caridade reduzindo-a a um genérico humanitarismo, por outro é igualmente redutivo defender uma exagerada supremacia da caridade e sua operactividade, pensando que as obras substituem a fé. Para uma vida espiritual sã, é necessário evitar tanto o fideísmo como o activismo moralista.
A existência cristã consiste num contínuo subir ao monte do encontro com Deus e depois voltar a descer, trazendo o amor e a força que daí derivam, para servir os nossos irmãos e irmãs com o próprio amor de Deus. Na Sagrada Escritura, vemos como o zelo dos Apóstolos pelo anúncio do Evangelho, que suscita a fé, está estreitamente ligado com a amorosa solicitude pelo serviço dos pobres (cf. At 6, 1-4). Na Igreja, devem coexistir e integrar-se contemplação e acção, de certa forma simbolizadas nas figuras evangélicas das irmãs Maria e Marta (cf. Lc 10, 38-42). A prioridade cabe sempre à relação com Deus, e a verdadeira partilha evangélica deve radicar-se na fé (cf. Catequese na Audiência geral de 25 de abril de 2012). De facto, por vezes tende-se a circunscrever a palavra «caridade» à solidariedade ou à mera ajuda humanitária; é importante recordar, ao invés, que a maior obra de caridade é precisamente a evangelização, ou seja, o «serviço da Palavra». Não há acção mais benéfica e, por conseguinte, caritativa com o próximo do que repartir-lhe o pão da Palavra de Deus, fazê-lo participante da Boa Nova do Evangelho, introduzi-lo no relacionamento com Deus: a evangelização é a promoção mais alta e integral da pessoa humana. Como escreveu o Servo de Deus Papa Paulo VI, na Encíclica Populorum progressio, o anúncio de Cristo é o primeiro e principal factor de desenvolvimento (cf. n. 16). A verdade primordial do amor de Deus por nós, vivida e anunciada, é que abre a nossa existência ao acolhimento deste amor e torna possível o desenvolvimento integral da humanidade e de cada homem (cf. Enc. Caritas in veritate, 8).
Essencialmente, tudo parte do Amor e tende para o Amor. O amor gratuito de Deus é-nos dado a conhecer por meio do anúncio do Evangelho. Se o acolhermos com fé, recebemos aquele primeiro e indispensável contacto com o divino que é capaz de nos fazer «enamorar do Amor», para depois habitar e crescer neste Amor e comunicá-lo com alegria aos outros.
A propósito da relação entre fé e obras de caridade, há um texto na Carta de São Paulo aos Efésios que a resume talvez do melhor modo: «É pela graça que estais salvos, por meio da fé. E isto não vem de vós; é dom de Deus; não vem das obras, para que ninguém se glorie. Porque nós fomos feitos por Ele, criados em Cristo Jesus, para vivermos na prática das boas acções que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (2, 8-10).
Daqui se deduz que toda a iniciativa salvífica vem de Deus, da sua graça, do seu perdão acolhido na fé; mas tal iniciativa, longe de limitar a nossa liberdade e responsabilidade, torna-as mais autênticas e orienta-as para as obras da caridade. Estas não são fruto principalmente do esforço humano, de que vangloriar-se, mas nascem da própria fé, brotam da graça que Deus oferece em abundância. Uma fé sem obras é como uma árvore sem frutos: estas duas virtudes implicam-se mutuamente. A Quaresma, com as indicações que dá tradicionalmente para a vida cristã, convida-nos precisamente a alimentar a fé com uma escuta mais atenta e prolongada da Palavra de Deus e a participação nos Sacramentos e, ao mesmo tempo, a crescer na caridade, no amor a Deus e ao próximo, nomeadamente através do jejum, da penitência e da esmola.

4. Prioridade da fé, primazia da caridade
Como todo o dom de Deus, a fé e a caridade remetem para a acção do mesmo e único Espírito Santo (cf. 1 Cor 13), aquele Espírito que em nós clama:«Abbá! – Pai!» (Gl 4, 6), e que nos faz dizer: «Jesus é Senhor!» (1 Cor 12, 3) e «Maranatha! – Vem, Senhor!» (1 Cor 16, 22; Ap 22, 20).
Enquanto dom e resposta, a fé faz-nos conhecer a verdade de Cristo como Amor encarnado e crucificado, adesão plena e perfeita à vontade do Pai e infinita misericórdia divina para com o próximo; a fé radica no coração e na mente a firme convicção de que precisamente este Amor é a única realidade vitoriosa sobre o mal e a morte. A fé convida-nos a olhar o futuro com a virtude da esperança, na expectativa confiante de que a vitória do amor de Cristo chegue à sua plenitude. Por sua vez, a caridade faz-nos entrar no amor de Deus manifestado em Cristo, faz-nos aderir de modo pessoal e existencial à doação total e sem reservas de Jesus ao Pai e aos irmãos. Infundindo em nós a caridade, o Espírito Santo torna-nos participantes da dedicação própria de Jesus: filial em relação a Deus e fraterna em relação a cada ser humano (cf. Rm 5, 5).
A relação entre estas duas virtudes é análoga à que existe entre dois sacramentos fundamentais da Igreja: o Baptismo e a Eucaristia. O Baptismo (sacramentum fidei) precede a Eucaristia (sacramentum caritatis), mas está orientado para ela, que constitui a plenitude do caminho cristão. De maneira análoga, a fé precede a caridade, mas só se revela genuína se for coroada por ela. Tudo inicia do acolhimento humilde da fé («saber-se amado por Deus»), mas deve chegar à verdade da caridade («saber amar a Deus e ao próximo»), que permanece para sempre, como coroamento de todas as virtudes (cf. 1 Cor 13, 13).
Caríssimos irmãos e irmãs, neste tempo de Quaresma, em que nos preparamos para celebrar o evento da Cruz e da Ressurreição, no qual o Amor de Deus redimiu o mundo e iluminou a história, desejo a todos vós que vivais este tempo precioso reavivando a fé em Jesus Cristo, para entrar no seu próprio circuito de amor ao Pai e a cada irmão e irmã que encontramos na nossa vida. Por isto elevo a minha oração a Deus, enquanto invoco sobre cada um e sobre cada comunidade a Bênção do Senhor!

Vaticano, 15 de Outubro de 2012
Benedictus PP. XVI

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