D. João Lavrador alertou para “esquecimento das verdades da fé” e pede redescoberta da Eucaristia como “Cristo vivo”

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A Sé de Viana do Castelo encheu-se para a celebração do Corpo de Deus, presidida pelo Bispo diocesano, D. João Lavrador, que deixou na homilia um apelo à redescoberta da centralidade da Eucaristia na vida cristã e ao risco de um “esquecimento” progressivo da fé.

Perante centenas de fiéis, o prelado sublinhou que a celebração eucarística não pode ser reduzida a um gesto simbólico ou ritual vazio, insistindo na dimensão de presença real de Cristo. “O Cristo vivo e ressuscitado” está no centro do mistério celebrado, afirmou, defendendo que a Eucaristia deve ser acolhida como “dom” e não como construção meramente intelectual.

Ao longo da homilia, D. João Lavrador recorreu repetidamente à linguagem da memória e do esquecimento para interpretar a vivência cristã contemporânea. “Não te esqueças”, repetiu várias vezes, alertando para o risco de uma vida religiosa que se afasta do essencial. “Estamos tão esquecidos de tantas verdades”, afirmou, num diagnóstico que atravessou toda a reflexão.

O Bispo alertou ainda para a tendência de a fé ser diluída no quotidiano e subordinada a outras prioridades, defendendo a necessidade de “ativar permanentemente a memória da ação de Deus na história de cada pessoa”. Nesse sentido, sublinhou que a Eucaristia é mais do que um rito. “É alimento que sacia a sede profunda que está em nós”, acrescentou.

O prelado deixou uma leitura exigente da vida cristã, recusando uma fé reduzida à prática ocasional ou identidade cultural. “Se não comeres a minha carne, não tens vida”, recordou, citando o Evangelho, para reforçar a centralidade da comunhão e da participação ativa no mistério eucarístico.

A dimensão comunitária foi outro dos eixos da intervenção. D. João Lavrador sublinhou que a Eucaristia constrói a própria Igreja enquanto comunidade, afirmando que “todos nós formamos o mesmo corpo de Cristo”. A partir dessa ideia, defendeu uma fé que se traduza em comunhão concreta e serviço. “A Eucaristia forma a comunidade e a comunidade vive e celebra a Eucaristia”, frisou.

Por fim, referiu-se à pobreza espiritual como raiz de muitas outras fragilidades humanas. “A primeira de todas as pobrezas é a falta de Deus”, afirmou, sublinhando que a resposta cristã passa por uma fé vivida em proximidade e solidariedade.

A celebração terminou com a tradicional procissão do Corpo de Deus pelas ruas da cidade, até à Igreja de São Domingos, onde os tapetes floridos voltaram a marcar o percurso do Santíssimo Sacramento.