D. João Lavrador desafia o clero a renovar-se a partir do encontro pessoal com Cristo

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Na Assembleia do Clero, o Bispo de Viana do Castelo defendeu uma "renovação permanente" da vida sacerdotal e pastoral, apoiada na fidelidade, na fraternidade e na sinodalidade. 

D. João Lavrador convidou os sacerdotes da Diocese de Viana do Castelo a viver a renovação pessoal e pastoral como exigência de fidelidade a Jesus Cristo e à Igreja. O apelo foi feito na Assembleia do Clero que decorreu no dia 15 de outubro, em Arcos de Valdevez, num momento em que a diocese se prepara para assinalar, em 2027, os 50 anos da sua criação.

Na intervenção, o Bispo alertou para o risco de a fé se ficar pelos "lugares comuns" e pelo que foi sendo transmitido, lembrando que “Jesus chama cada pessoa a uma resposta pessoal, a conhecê-lo de perto, a deixar-nos escrutinar a partir da amizade com Ele, num encontro sempre novo que pode exigir-nos percorrer caminhos inéditos e fazer escolhas diferentes das que imaginávamos”. "Ai de nós se não partimos deste encontro com Cristo e com o Evangelho", afirmou, sublinhando que é desse encontro que nasce uma criatividade pastoral coerente e profunda. Citando o Papa Francisco, D. João Lavrador criticou a ideia de que basta continuar a fazer "como sempre se fez" e defendeu uma opção missionária capaz de pôr os costumes, os horários, e a linguagem toda ao serviço da evangelização, e não da autopreservação.

A reflexão assentou na carta apostólica do Papa Leão XIV por ocasião dos 60 anos dos decretos conciliares sobre o ministério e a formação dos presbíteros. D. João Lavrador organizou o tema em torno da fidelidade, entendida como graça e como caminho de conversão diária, e destacou a fidelidade à vocação, à fraternidade, à sinodalidade, à missão e ao futuro.

Sobre a fraternidade, o Bispo afirmou que "faz parte da fidelidade" e da identidade do presbítero, não sendo uma opção acessória: “nós somos essencialmente fraternos”. Recordou que o ministério sacerdotal não pode viver desligado da comunhão com Cristo, com o Bispo e com os restantes presbíteros, que deve superar “a tentação do individualismo, que não condiz com a ação missionária e evangelizadora”.

Na sinodalidade, pediu aos sacerdotes que promovam a participação de todos os batizados, valorizando os conselhos pastorais, os ministérios ordenados e instituídos e os serviços ocasionais. Sobre a missão, retomou o apelo a uma nova evangelização que vá ao encontro dos mais afastados e dos que, mesmo dentro da comunidade cristã, precisam de um primeiro anúncio.

Olhando ao futuro, D. João Lavrador reforçou a aposta da diocese na pastoral vocacional, nomeadamente junto dos jovens e das famílias, defendendo que "não há futuro sem cuidar das vocações". Por fim, pediu aos sacerdotes que sejam "homens de Deus" e "peritos em humanidade", afáveis, sinceros e disponíveis para o serviço, capazes de “fazer das comunidades escolas de comunhão”.