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Diocese reúne famílias em Melgaço e alerta para isolamento e falta de tempo
Cerca de 500 pessoas participaram no VIII “Viana em Família”, realizado no Agrupamento de Escolas de Melgaço, numa iniciativa da Pastoral Familiar de Viana do Castelo que voltou a juntar famílias, casais jubilares e agentes pastorais num dia de reflexão, convívio e celebração. Foram ainda homenageados 40 casais, com aniversários matrimoniais entre os 25 e os 75 anos de vida em comum.
O ambiente foi de festa, mas também de leitura crítica do tempo presente. Na Eucaristia, o Bispo de Viana do Castelo, D. João Lavrador, deixou um apelo à redescoberta do sentido cristão do domingo, apontando-o como eixo espiritual e comunitário. “O domingo é um tesouro. Não é um dia igual aos outros”, afirmou, sublinhando que a celebração dominical deve ser vivida como memória da ressurreição e experiência comunitária de fé.
Ao longo da homilia, o prelado insistiu que a vida cristã não se esgota no ritual. “O amor é uma nova forma de conhecer”, disse, defendendo uma sabedoria que integra razão, sensibilidade e entrega.
Entre o diagnóstico e a esperança, D. João Lavrador deixou ainda uma leitura do tempo presente, marcado por fragilidades e incertezas, mas sem perda de horizonte. “É possível ultrapassar as dificuldades e permanecermos no amor e na comunhão”, afirmou, reforçando a família como “primeira comunidade onde tudo se fundamenta”.
Alertou ainda para os desafios da comunicação contemporânea, sublinhando a necessidade de preservar o “rosto humano” na forma como se comunica: “A notícia tem rosto e deve estar sempre em função do verdadeiro rosto humano”.
“As famílias estão cada vez mais desmembradas”
Da equipa da Pastoral Familiar Diocesana, Adelino colocou o foco no desafio estrutural das famílias na Diocese. “O maior desafio das famílias da nossa Diocese é trazer a família para o assunto do dia, porque as famílias estão cada vez mais desmembradas”, afirmou.
Já Alexandra, da equipa da Pastoral Familiar de Melgaço, destacou a presença conjunta de várias gerações. “Notamos a participação das famílias no seu todo, pais, filhos, avós, netos”, referiu, sublinhando a “coesão familiar” vivida ao longo do dia.
“(...) a família também é forte”
O tema deste ano — “Fragilidades e Forças” — atravessou várias intervenções, incluindo a mesa redonda dedicada à saúde mental e bem-estar familiar.
O Pe. Arcélio Sousa, do Arciprestado de Melgaço, explicou a opção pelo tema como resposta a preocupações atuais. “Sentimos necessidade de trazer para este encontro o tema da saúde mental”, disse, sublinhando a importância de equilibrar a leitura das dificuldades com reconhecimento das forças familiares. “Por um lado tratar esta questão, mas por outro lado também termos presente que a família também é forte”, acrescentou.
Na mesma linha, o diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar, Monsenhor José Fernando Caldas, evidenciou o desafio da alegria como elemento central da vida familiar. “O maior desafio é viver a alegria de ser família, dar testemunho dessa alegria”, afirmou, citando o Papa Francisco: “A família é um evangelho, uma boa notícia para os dias de hoje”.
O Pe. Joel Rodrigues, do Arciprestado de Monção, sublinhou o objetivo pastoral e prático do encontro. “Queremos que as famílias repensem comportamentos e formas de estar, de forma a levar a uma unificação maior das famílias e também a uma evangelização das mesmas”, disse.
“Pedir ajuda é um sinal de força”
Na mesa redonda sobre fragilidades familiares, a oradora Paula Brites foi direta na abordagem às situações de vulnerabilidade. “Pedir ajuda é um sinal de força e não de fraqueza”, afirmou, sublinhando a importância da prevenção e do acompanhamento. “O cuidar em família e os exemplos que dão aos seus filhos e jovens fazem diferença no percurso de cada um”, acrescentou.
Entre os testemunhos pastorais, Luísa, da Pastoral Familiar de Paredes de Coura, apontou a falta de tempo como uma das principais fragilidades contemporâneas. “Hoje nas famílias o ponto mais frágil será a falta de tempo”, disse, referindo o ritmo acelerado do quotidiano.
A este fator junta-se, acrescentou, a tecnologia. “As famílias estão dependentes das novas tecnologias… e isso rouba tempo para se viver bem”, lamentou.
“Deveríamos dar um passo em frente para chegarmos a apoios”
No testemunho dos casais, Sofia e Nuno, da Pastoral Familiar de Valença, confidenciaram que “a fé ajuda na vida do casal e da família”. Já numa dimensão mais estrutural, Rui Santos e Ana Luísa, do Arciprestado de Caminha, defenderam mudanças nas políticas de apoio à parentalidade, nomeadamente o prolongamento das licenças. “Deveríamos dar um passo em frente para chegarmos a apoios até 12 meses, pagos a 100%”, defenderam, sublinhando a importância dos primeiros tempos de vida da criança.
“A família continua a ser um espaço essencial de amor”
A professora Raquel, da Pastoral Familiar de Monção, referiu que “a família continua a ser um espaço essencial de amor, crescimento e apoio”. Mais do que o momento em si, sublinhou, o essencial é o que permanece depois: mais diálogo, mais presença e mais tempo dentro das famílias.