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“Imagem Pairante”, a matéria como lugar de encontro com o transcendente
A exposição “Imagem Pairante”, do padre Christopher Sousa, integrou o programa do 48.º Encontro Diocesano de Pastoral Litúrgica, promovido pelo Secretariado Diocesano da Liturgia. Mais do que um complemento ao encontro, a mostra afirma-se como “uma proposta artística independente, focada na relação entre matéria, símbolo e transcendência”.
O convite partiu do Secretariado, em sintonia com o tema deste ano — “Liturgia no diálogo de Deus com o mundo”. Para o autor, Pe. Christopher Sousa, ligação foi imediata. “O aspecto convite veio do Secretariado de Liturgia e, tendo em conta que a cultura é um fundamental do diálogo com o mundo, surgiu esta oportunidade de fazer da exposição uma ponte entre o imanente e o transcendente”, explicou.
Segundo o sacerdote, o objetivo é criar uma linguagem visual que permita ao visitante abrir-se uma experiência interior. “Procuramos que se criem vocabulários para que o ser humano, a partir da simbologia da matéria e da forma como ela é trabalhada, se possa encontrar, se possível, com o transcendente”, afirmou.
O núcleo das obras tem como matéria principal a partícula de hóstia, técnica desenvolvida por Pe. Christopher Sousa em ambiente acadêmico. A escolha do material não é neutra. "É uma matéria que se desenvolve em contexto académico e que depois deu aso a estas obras. Liturgicamente, tem um sentido muito importante, porque nos remete para a Eucaristia, para o alimento e para o sacrifício de Cristo", sublinhou.
A exposição assume uma linguagem contemporânea, mas profundamente ancorada na tradição simbólica cristã. Mais do que uma apresentação estética, o autor insiste na dimensão experiencial do percurso. “A exposição não tem apenas um aspecto meramente expositivo, mas quer levar as pessoas a terem uma experiência de contemplação. E a contemplação é também um aspecto muito valorizado na liturgia”, referiu.
Entre as peças expostas encontra-se a pintura que serve de base ao cartaz oficial do encontro. “A própria figura que está no cartaz é uma das pinturas aqui patentes e revela o principal símbolo do Cristianismo, que é a cruz”, explicou.
O cartaz integra ainda uma fotografia de duas pessoas em diálogo diante da obra, reforçando visualmente a relação entre arte, cultura e fé. “Remete para esta questão do diálogo com a cultura, com a arte, integrada na liturgia”, acrescentou.
“Imagem Pairante” começa agora a assumir um caráter itinerante. “Esteve no Porto, integrado num ciclo artístico, agora está aqui e muito provavelmente irá para outros locais”, adiantou o sacerdote.
Num tempo em que a linguagem religiosa procura novos modos de expressão, a exposição e uma via silenciosa: trabalhar a matéria, convocar o símbolo e abrir espaço à contemplação. “Faz sentido trazer esta exposição para aqui, precisamente porque este diálogo está muito patente”, concluiu.