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Pe. Tiago Rodrigues: “A liturgia é algo dinâmico… se a sociedade muda, tem também novas formas de compreender como há de dialogar com Deus.”
Cerca de 700 pessoas de diversas gerações marcaram presença no 48.º Encontro Diocesano de Liturgia, um evento que se afirma como um dos momentos de maior mobilização da Diocese de Viana do Castelo. O Padre Tiago Rodrigues, Diretor do Secretariado Diocesano da Pastoral Litúrgica, destacou a vitalidade deste encontro, que há quase meio século promove uma "cultura de afirmação litúrgica" na região.
O evento se distingue pelo seu caráter intergeracional, reunindo desde os participantes mais velhos, que acompanham o encontro há 48 anos, até os mais jovens, incluindo crianças da catequese, acólitos e coros de pequenos cantores. Para o Padre Tiago Rodrigues, esta adesão reflete o cuidado extremo que muitas paróquias se dedicam à liturgia, entendida como a “fonte e cume” da vida cristã.
Notícias de Viana (NdV): Estamos perante cerca de 700 pessoas neste encontro. Como olhar para essas emoções de diferentes gerações em torno da liturgia?
Pe. Tiago Rodrigues (PTR): Sim, este é, de facto, um encontro mobilizador da Diocese de Viana do Castelo. Tem uma história por trás: são 48 encontros. Isso criou uma cultura de afirmação litúrgica e um compromisso de cada paróquia em servir o melhor. Descobri aqui várias gerações: dos mais velhos, que já vêm há 48 anos, mas também jovens ligados à música, acólitos e crianças da catequese.
(NdV): A liturgia é muitas vezes vista como algo muito tradicional ou restrito. Ela pode ser um espaço aberto de diálogo com o mundo?
(PTR): Com certeza. É, sobretudo, um espaço de encontro. As pessoas se encontram, partilham e criam identidades à volta desta dinâmica. Mesmo para quem não frequenta tanto, como vemos nas exéquias, torna-se uma oportunidade de criar laços e de diálogo, inclusive o diálogo ecuménico.
(NdV): Fala-se em novas formas de celebrar. Há abertura para isso?
(PTR): Novas formas de ser sempre em comunhão com a Igreja, só assim faz sentido. A liturgia é um todo, uma envergadura com muitas peças. Como disse o Sr. D. José Cordeiro, a liturgia é algo dinâmico, não é estanque. Se a sociedade muda a sua forma de dialogar, a liturgia adapta-se para compreender como dialogar com Deus, conservando sempre a tradição.
(NdV): Qual é o principal desafio para que as pessoas compreendam verdadeiramente a liturgia?
(PTR): Nunca vamos conseguir compreender tudo na totalidade, tal como nunca compreendemos totalmente outra pessoa ou a Deus. É um caminho de descoberta. A formação é essencial para que cada pessoa tenha consciência do seu ministério. Não há um ministério mais importante que o outro, todos são importantes, mas é necessário este trabalho contínuo.
(NdV): Num tempo em que menos pessoas frequentam a Igreja, estes números surpreendem? O que falta para motivar mais?
(PTR): Talvez a dinâmica dos diversos ministérios envolva mais as pessoas, o que justifica estes números. O que falta fazer é um caminho que vamos descobrir, tentando consciencializar e envolver as pessoas. Estamos a tentar ouvir as sensações do mundo e os anseios de hoje para reflexão, mesmo que não tenhamos respostas concretas e imediatas.