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Quarta-feira de cinzas: D. João alerta contra religiosidade de aparência
A celebração da Quarta-feira de Cinzas assinalou o início da Quaresma na Diocese de Viana do Castelo, com um apelo direto à coerência entre fé e vida. Na homilia, o bispo diocesano, D. João Lavrador, alertou para o risco de uma religiosidade feita de gestos exteriores sem verdadeira conversão interior.
O prelado descreveu a Quaresma como um “itinerário com sentido”, orientado para a Páscoa e para o mistério da morte e ressurreição de Jesus Cristo. “Ele não fica na morte. Ressuscita. E oferece-nos essa ressurreição a todos nós”, afirmou, sublinhando que os cristãos são chamados a participar numa “vida nova”, ainda que marcada por fragilidades.
Ao longo da celebração, insistiu na necessidade de transformação do coração. Evocando o apelo bíblico a “rasgar o coração e não as vestes”, advertiu contra uma fé vivida como aparência ou espetáculo. “Há duas maneiras de viver este tempo: para sermos vistos ou para, no silêncio, deixar que Deus transforme o nosso coração”, afirmou.
Referindo-se às práticas tradicionais da Quaresma — jejum, abstinência, oração e esmola —, defendeu que só fazem sentido se conduzirem à conversão e à reconciliação. “Somos embaixadores de Cristo”, disse, citando São Paulo, para reforçar que a reconciliação deve começar na relação com Deus e estender-se aos outros. “A paz e a fraternidade não se alcançam sem reconciliação”, acrescentou.
Por fim, D. João Lavrador lembrou a intenção de criar um fundo solidário permanente na cidade, destinado a responder de forma mais célere a situações de carência social.
A proposta prevê canalizar a renúncia quaresmal e outros contributos para uma bolsa de apoio contínuo, capaz de acudir a famílias em dificuldade e a emergências locais ou internacionais. “A renúncia não é para acumular, é para partilhar”, sublinhou, defendendo que a vivência quaresmal deve traduzir-se em gestos concretos de fraternidade.